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Seu “Filho da Quita”

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(Na área verde ao inicio da foto, Rua Alagoas, ficava o Botafogo)

Quem passa pela rua Alagoas, entre as Ruas Rio Grande do Sul e Rua Assis Figueiredo, sem saber, pisa num território extremamente curioso de Poços de Caldas. Ali o sagrado e o profano encontraram terra fértil.  A  região. Praça Dom Pedro Segundo. (Praça dos Macacos) Praça Mons. Faria de Castro, (Praça da Matriz) e imediações, fazia  parte dos campos do João Sabino, onde ficava também o pequeno quilombo chamado Botafogo. Ali, se deu o inicio da atual historia de Poços de Caldas, uma vez que se encontra no local a principal fonte que marcou o começo do lugarejo, a famosa Fonte dos Macacos, pois segundo a lenda urbana, a região era frequentada por símios que curtiam um banho quentinho com a água que nasce a 45 graus, se bem que o principal historiador do período inicial do povoado, Mário Mourão, conta em seu livro, que alguns dos nossos primeiros veranistas vindos do Rio de Janeiro onde já existia um bairro só de ex-escravos negros, cujo nome era Macacos, ao chegar ao reduto de negros de Poços de Caldas também denominou o local de Macacos. O próprio nome do reduto, “Botafogo” também vem do Rio de Janeiro, pois lá o bairro com o mesmo nome é tão antigo quanto à própria cidade e também existia desde 1852 um cemitério (cemitério São João Batista). Na região onde existe hoje a basílica, antes existia o primeiro cemitério do povoado, depois a primeira capela de São Benedito e posteriormente a basílica.


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Mas, voltemos ao quilombo Botafogo. Era um reduto de ex-escravos e, escravos fugidos, uma espécie de estado dentro do estado. Tinha as suas próprias governanças e seu regimento interno o que desagradava especialmente a policia local. Sempre surgiam atritos entre os dois poderes, especialmente quando um delegado novo era nomeado. Era sonho das “novas autoridades” acabar com uma vila de barrados que existia no bairro Vai e Volta pertencente a um ex-escravo vindo de uma colônia africana pertencente a Portugal, cujo apelido era Dr. Veludo, por causa da sua voz grave e macia. Diziam os coronéis:

– É preciso acabar com as peluncas do Dr. Veludo, e também com o Botafogo. Sempre que a policia tentava  entrar no reduto para alguma ação,  surgia um choque de poder e os policiais acabavam apanhando dos negros e sendo jogados desmoralizado, para  fora dos espaço geográfico. Isto ocorreu até que depois de um grande conflito um delegado reuniu forças e acabou com o “quilombo dos Palmares sulfuroso.”.

A área que era formada sobre um grande brejo, cheio de pequenas taperas de madeira onde moravam os negros. Ali assou para outras mãos até que a propriedade, quase um quarteirão inteiro, passou para as mãos de uma família da cidade cuja matriarca tinha o apelido de “QUITA”.

 

Como a cidade dos jogos e cassinos era também cheia de garotas de programa e campo fértil para a prostituição, existiam, mesmo na área central, vários locais de tolerância, que corrompiam delegados e funcionavam sem serem incomodadas pela força policial. Os moradores mais antigos se lembram que em plena Praça Pedro Sanches havia a Pensão dos Franceses, onde hoje é uma cristaleira, que era explorada por um casal e as meninas ficavam com pouca roupa na calçada em busca de parceiros. Maria Geralda, na cascatinha, boite Bambu, na Av. João Pinheiro, que tinha clientela “VIP” como o próprio ex-presidente JK. E tantas outras. (Falaremos das casas de tolerância outro dia)

A Quita teve uma grande ideia, transformou o quilombo no primeiro motel da cidade. Ela alugava as taperas para a moçada transar. Nos tempos em que doenças venéreas eram até românticas para os atuais tempos de Aids, e se curava com qualquer antibiótico na farmácia do Lazinho, A Quita assistia aos casais com uma pequena bacia d’agua, que circulava de “aposento em aposento”.

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O motel da Quita durou até que a área se transformou em um grande deposito de madeira e mais recentemente, choperia, cristaleira e agora banco.

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Os moleques do meu tempo de pré-adolescente, quando queriam maldizer a mãe de outro moleque o chamavam de “Filho da Quita.”.

(Roberto Tereziano)

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