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Justiça determina soltura de suspeitos presos na Operação Nexum 35 após anular prova anexada ao processo

fachada Fórum Poços de Caldas
Com a nulidade da prova, a Justiça determinou a soltura de 11 dos 19 suspeitos presos durante a operação  – foto Roni Bispo

Poços de Caldas (MG) –  A Justiça determinou a soltura de 11 suspeitos presos durante a Operação Nexum 35, desencadeada pela Polícia Civil em agosto do ano passado, após anular uma das principais provas, anexada ao processo de investigação sobre o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, em Poços de Caldas.


O Juiz de Direito, titular da 1ª Vara Criminal e Execuções Criminais da Comarca de Poços de Caldas, José Henrique Mallmann, rejeitou a denúncia do Ministério Público após constatar quebra da cadeia de custódia e violação ao disposto nos artigos 157 e 158-A do Código Penal, considerando que houve invalidação de elemento probatório anexado ao processo. No caso, fotografias que foram tiradas do celular de um dos suspeitos, apreendido em fevereiro de 2025, com indícios da prática criminosa.

De acordo com a Justiça, as fotos da tela do celular do suspeito foram tiradas do celular de um dos investigadores e não em forma de print da tela, conforme autorização judicial concedida.

A defesa do acusado apresentou uma petição, que impugnou a legalidade da prisão e a validade das provas coletadas, sustentando, em síntese, que o laudo produzido não correspondeu a uma extração de dados nos moldes autorizados judicialmente, no bojo da decisão de quebra de sigilo telemático.


No dia 9 de janeiro deste ano, o juiz solicitou à Polícia Civil que enviasse novamente os documentos, as “impressões digitais” e metadados das imagens originais, com objetivo de aferição da integridade da prova, porém a Polícia Civil reiterou o teor do laudo elaborado em 11 de dezembro de 2025.

O juiz reconheceu então que a prova obtida por meio das fotografias registradas pelo celular do investigador da tela do celular do acusado foi considerada nula por violar às normas da cadeia de custódia.

O titular da 1ª Vara Criminal e Execuções Criminais determinou nesta terça-feira, 20, a nulidade da prova e a soltura de 11 dos 19 suspeitos presos durante a operação deflagrada em agosto do ano passado.

Em nota a Polícia Civil de Minas Gerais esclareceu que não se manifesta acerca do mérito ou conteúdo de decisões judiciais, limitando-se ao fiel cumprimento das determinações emanadas pelo Poder Judiciário, no âmbito de suas atribuições legais.

Operação Nexum 35

A 1ª Delegacia de Polícia de Poços de Caldas deflagrou  na manhã dia 21 de agosto de 2025, a Operação Nexum 35, que tinha como objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e crimes conexos. Ao todo 19 pessoas foram presas numa ação, que contou com mais de 100 policiais civis.

Na ocasião, Polícia Civil informou que a operação foi desencadeada após uma investigação, que durou aproximadamente quatro meses, teve início a partir da análise de dados extraídos de aparelhos celulares, em razão da apreensão de aproximadamente 20 (vinte) quilos de maconha, elementos que permitiram identificar a atuação de uma rede criminosa com ramificações na cidade e região, com a devida representação por medidas cautelares pela Polícia Civil.

Durante a operação  foram expedidos pela Justiça 21 mandados de prisão temporária e 26 mandados de busca e apreensão, todos cumpridos simultaneamente.

A operação mobilizou mais de 104 policiais civis de todo o 18º Departamento de Polícia Civil (Poços de Caldas, Alfenas, Guaxupé, São Sebastião do Paraíso e Passos), para os cumprimentos das ordens judiciais em diversos bairros da cidade.

Os dois principais alvos foram presos, sendo um na região central da cidade, o investigado já havia sido preso por crime idêntico na operação Kaballah, deflagrada pela Polícia Civil de Poços de Caldas, em 2019. O outro alvo foi preso na região leste, este apontado como o proprietário de um dos principais ‘deliveries’ da cidade.

Além das prisões, a Polícia Civil também apreendeu drogas, caderno de anotações, uma moto, um carro, além de relógios de luxo e R$ 8 mil.

A denominação NEXUM 35 faz referência à ideia de “conexão”, simbolizando os vínculos entre os investigados e a atuação em rede do grupo criminoso, usando o código de área da região de Poços de Caldas.

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