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Servidor público é vítima de racismo em Unidade de Saúde na zona leste

ubs santa rosália
A PM foi chamada até a unidade de saúde e os policias constataram que o paciente havia causado tumulto no interior da UBS, agredindo fisicamente um médico e tentando agredir uma enfermeira – foto arquivo Secom

Poços de Caldas (MG) – Um servidor público municipal, profissional de Educação Física foi vítima de racismo ao tentar conter um paciente de 66 anos com surto psicótico na Unidade de Estratégia de Saúde da Família, na UBS do Santa Rosália, na zona leste de Poços de Caldas (MG). De acordo com o servidor, em relato ao Sindserv, o paciente de 66 anos proferiu diversas frases em língua inglesa e dirigiu ao servidor a expressão “nigger chunk of shit”, (negro pedaço de m… ) de conteúdo explicitamente racista.


A Polícia Militar foi chamada até a unidade de saúde, e no local os policias constataram que o paciente havia causado tumulto no interior da UBS, agredindo fisicamente um médico e tentando agredir uma enfermeira, sendo contido por terceiros até a chegada das equipes de emergência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também compareceu e auxiliou na contenção e medicação do paciente.

De acordo com a PM, o idoso estrangeiro, encontrava-se desorientado e sob efeito de medicamentos, não sendo possível colher sua versão dos fatos no momento. Testemunhas relataram que ele apresentava comportamento agressivo em razão do surto psicótico.

Diante da situação, foi dada voz de prisão ao autor, que precisou ser algemado devido ao risco de novas agressões.


Em seguida, ele foi encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu nova medicação e permaneceu sob cuidados médicos, não apresentando condições de assinar o Termo de Compromisso no momento.

Ainda segundo a PM, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, a ocorrência foi registrada para apreciação da autoridade competente, ficando o autor comprometido a comparecer ao Juizado Especial Criminal quando devidamente convocado.

Repúdio e acolhimento

A ocorrência foi registrada na manhã de segunda-feira, 2, mas ganhou repercussão na última quarta-feira, 4, depois que o servidor procurou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e relatou ato de racismo.

De acordo com a diretoria do Sindserv, o servidor contou que durante o atendimento, uma paciente, usuária da unidade procurou o servidor visivelmente abalada, informando que outro paciente presente no local teria tentado beijá-la sem consentimento.

A paciente indicou quem seria o autor da tentativa e, na sequência, o referido paciente passou a realizar gestos alusivos à cor da pele do servidor, sugerindo manifestação de cunho racista. O servidor informou ainda que o paciente se comunicava majoritariamente em língua inglesa, o que dificultava a comunicação.

Ainda conforme o relato, o paciente teria segurado o braço do servidor, que se afastou e entrou em uma sala da unidade para evitar o agravamento da situação. Cerca de vinte minutos depois, o mesmo paciente foi atendido por um médico da unidade e, diante da necessidade de aplicação de medicação e do comportamento inquieto do paciente, o servidor foi chamado para auxiliar na contenção.

Ao chegar à sala de atendimento, o paciente questionou se o servidor era segurança do local, sendo esclarecido que se tratava de servidor da unidade. Em seguida, no momento em que o médico se ausentou para buscar o medicamento, o paciente voltou a realizar gestos relacionados à cor da pele do servidor, tocou seu abdômen e tentou colocar a mão em seu rosto, sendo impedido pelo servidor, que recolocou o paciente sentado.

Durante o depoimento ao Sindserv, o servidor contou ainda  que o paciente estava acompanhado por sua esposa, que permaneceu do lado externo da sala, sem intervir. Para a aplicação do medicamento, o médico segurou um dos braços do paciente e o servidor auxiliou na contenção do outro braço e do cotovelo, possibilitando a administração da medicação por uma profissional de enfermagem.

Após a aplicação do medicamento, quando o médico soltou o braço do paciente, este desferiu um soco contra o rosto do profissional e avançou em sua direção e também contra a profissional de enfermagem. Diante da agressividade, o servidor realizou a contenção do paciente, encostando-o na parede, com o objetivo de evitar maiores complicações, reforçando que não houve agressão, apenas imobilização.

Ainda segundo o servidor, em depoimento ao Sindserv, durante o processo de contenção, o paciente proferiu diversas frases em língua inglesa e, em determinado momento, dirigiu ao servidor a expressão “nigger chunk of shit”, de conteúdo explicitamente racista. No mesmo episódio, o paciente tentou tocar de forma inadequada uma profissional de enfermagem, levando a mão em direção ao seio da funcionária, sendo imediatamente impedido pelo servidor, que retirou a mão do paciente e interveio para cessar a conduta.

A Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, havendo relato de demora no atendimento. Posteriormente, com orientação médica, uma segunda medicação foi aplicada para sedação do paciente, já com a presença da equipe do SAMU no local.

O servidor informou que, até a chegada da polícia, o paciente permaneceu proferindo frases em inglês, dificultando a plena compreensão do conteúdo. Ao final, o servidor foi orientado a registrar boletim de ocorrência vinculado ao já realizado pelos demais profissionais envolvidos, bem como informado sobre a possibilidade de adoção de medidas judiciais por danos morais, com acompanhamento de advogado particular, considerando que o sindicato não atua na esfera criminal.

O Sindsev emitiu uma nota de repúdio contra o ato de racismo praticado pelo paciente.

A Divisão de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Poços de Caldas também repudiou o ato de racismo. Segundo a coordenadora, Nanci de Moraes, o caso será acompanhado de perto pela Divisão e também pela Rede de Promoção de Igualdade Racial.

O servidor está sendo acolhido e orientado a procurar a Polícia Civil para fazer um boletim de ocorrência.

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