Família de artista plástico procura por obra pintada em homenagem a Tom Jobim

Poços de Caldas (MG) – A família do artista plástico, Aluísio Carvão procura por uma obra de arte pintada por ele e que compôs uma exposição em homenagem a Tom Jobim. A obra “ Lamento no Morro” está desaparecida desde setembro do ano passado, após o filho do artista, Aluísio Carvão Júnior, deixar a tela em uma gráfica, em Poços de Caldas (MG). De acordo com a família, a cópia seria dada de presente para a filha de Aluísio Carvão Júnior.
O aposentado, que á havia pago pelo serviço foi surpreendido semanas depois, quando voltou ao estabelecimento para buscar a obra e a cópia, porém foi informado que a tela havia sido descartada. “Os responsáveis pela copiadora não souberam informar o paradeiro da obra, se foi parar no lixo, ou para a reciclagem,” explica o neto do artista, Mário Carvão.
Desde então, a última tela pintada pelo artista antes de morrer está sendo procurada pela família. Até o pagamento de recompensa já foi oferecido para quem tiver alguma informação sobre o quadro. “Nossa esperança é que alguma empresa que trabalhe com reciclagem tenha recolhido a tela e que ainda estejam com ela. Para o lixão acho difícil ter ido e que pode ter sido levada por algum catador de recicláveis.” se enche de esperança Carvão.
Ainda segundo o neto do artista plástico, a família já registrou um boletim de ocorrência e também acionou o Procon.
Lamento no Morro – A última obra
A obra Lamento no Morro tem 75 x 75 cm foi pintada com técnica mista: tinta a óleo, pastel seco e lápis de cera sobre tela.

O quadro fez parte da exposição “A Imagem do Som de Antônio Carlos Jobim”, com 80 composições de Tom Jobim interpretadas por 80 artistas plásticos contemporâneos, entre eles Aluísio Carvão.
Cada artista se inspirou nas letras compostas pelo maestro e expressou na tela todo sentimento, a sensibilidade, genialidade e talento de Tom Jobim.
A exposição montada no Paço Imperial, na Praça XV, no Rio de Janeiro foi inaugurada no dia 22 de novembro de 2001 e foi até o dia 24 de fevereiro de 2002.
Aluísio Carvão faleceu no dia 15 de novembro de 2001 em Poços de Caldas, 7 dias antes da abertura da exposição. “Meu vô pintou até o último ano de vida. Meu pai trouxe ele do Rio para morar conosco em Poços de Caldas em 2000 e ele já estava com a saúde bem debilitada. Meu avô faleceu em 2001, tendo a tela Lamento no Morro como sua última obra, o que nos deixa mais tristes, saudosos e por isso seguimos na esperança de poder encontrar o quadro, tanto pelo valor artístico, e principalmente pelo valor afetivo pelo trabalho e toda trajetória artística do meu avô”, finaliza Carvão.
Aluísio Carvão
Aluísio Carvão nasceu em 1920 no Pará (PA), começou a carreira como ilustrador, mas também foi ator, cenógrafo, escultor, professor e pintor.
Em 1946, participou pela primeira vez de uma coletiva e recebeu o Prêmio Especial no Salão Paraense de Belas Artes. Nesse mesmo ano, passou a dedicar-se à pintura e realizou sua primeira exposição individual no Amapá, onde residiu temporariamente.
Em 1949, foi contemplado pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC) com uma bolsa destinada a professores de artes e mudou-se para o Rio de Janeiro. Ingressou no curso livre de pintura de Ivan Serpa (1923-1973), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1952. Entre 1953 e 1956, integrou o Grupo Frente e participou das principais exposições coletivas ligadas ao concretismo brasileiro, como a 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, em 1953, em Petrópolis; as mostras do Grupo Frente realizadas no Rio de Janeiro, em 1954 e 1955; e a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957.
Entre 1957 e 1959, lecionou no MAM/RJ, substituindo Ivan Serpa, e realizou uma exposição individual na Galeria de Artes das Folhas, em São Paulo, em 1958.
Aluísio Carvão assinou, em 1959, com os artistas Amilcar de Castro (1920-2002), Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004) e o poeta Reynaldo Jardim (1926- ), o Manifesto Neoconcreto, escrito por Ferreira Gullar (1930- ). Com esse grupo, participou da Exposição de Arte Neoconcreta no Rio de Janeiro, também exibida em São Paulo e Salvador.
Aluísio Carvão participou da mostra Konkrete Kunst, em Zurique, e da Exposição de Arte Neoconcreta, em Munique, em 1960. Nesse mesmo ano, recebeu o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Arte Moderna e ingressou como artista visitante na Hochschule für Gestaltung (HfG), em Ulm, Alemanha. Viajou por diversos países da Europa e retornou ao Brasil em 1963, tornando-se professor do MAM/RJ e da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage).
No final da década de 1960, iniciou uma série com materiais recicláveis, utilizando tampinhas de garrafa, barbante e objetos descartáveis em sua pesquisa cromática no campo da abstração. Entre 1966 e 1979, atuou na área de artes gráficas e desenho industrial, criando cartazes, capas de livros e selos. Em 1967, participou com dois trabalhos da mostra Nova Objetividade Brasileira, no MAM/RJ.
Aluísio Carvão integrou diversas retrospectivas sobre arte concreta e neoconcreta na década de 1980. Uma importante retrospectiva foi realizada em 1996, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, seguindo para o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA), em Salvador, e para o MAM/RJ. Participou também da exposição Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner, realizada em 1998 no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e em 1999 no MAM/RJ.
Suas obras estiveram presentes em várias Bienais Internacionais de São Paulo, na 4ª Bienal de Tóquio, em 1957, e na 1ª Bienal Interamericana do México, em 1958. Sua última exposição ocorreu em maio de 2001, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, ao lado de trabalhos de Ione Saldanha. – Fonte Escritório da Arte





