Minas conta com Centro de Processamento Celular para transplantes de medula óssea
Antes, pacientes que precisavam de transplante de medula óssea em Minas Gerais precisavam se deslocar para outros estados, o que trazia mais dificuldade para o paciente e demora para o tratamento.
Hoje, graças ao Centro de Processamento Celular, do Centro de Tecidos Biológicos (Cetebio), unidade da Fundação Hemominas que atua com células e tecidos biológicos, o tratamento pode ser feito em Minas.
O Centro de Processamento Celular presta serviços de terapia celular para dez centros transplantadores conveniados da capital e do interior.
Da fundação, em 2013, até hoje, mais de 2 mil pacientes foram beneficiados e a média mensal chega a até 30 processamentos.
Referência
Segundo o coordenador do Cetebio, André Belisário, depois dessa implantação, o processo dos transplantes foi facilitado. “Antes de termos o Centro de Processamento Celular aqui em Minas, as células precisavam ser processadas em outro estado ou o paciente precisava se deslocar, o que aumentava o custo e atrasava o processo. Com o Cetebio, além de agilidade, ganhamos em segurança do material genético”, ressalta.
No Cetebio, as células podem passar por deseritrocitação, que é a redução de células vermelhas ou hemácias antes do transplante. O material pode ser processado para uso a fresco, em até 48 horas após a coleta, ou passar pelo processo de criopreservação, que consiste no congelamento em ultrabaixa temperatura para que o paciente receba o material depois do período de tratamento.
“A maioria dos pacientes que atendemos são os que vão receber um transplante autólogo. Eles são cadastrados e chamados para realizar a coleta do material, que passa pelo controle de qualidade e por testes para ser criopreservado”, aponta o coordenador.
“Quando o paciente está pronto para o transplante, a equipe do hospital nos aciona para que seja feito o transporte das células congeladas em um recipiente específico, com nitrogênio líquido, que pode chegar até aos 150 graus negativos. As células são descongeladas na beira do leito e infundidas no paciente”, salienta.
O Cetebio também recebe material genético de doadores de outros estados e países para atender aos casos de pacientes mineiros que estejam precisando do transplante.
“Fazemos o processamento e encaminhamos o material para o Centro Transplantador em que o paciente está internado. Os dez centros conveniados são, na maioria, hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) ou filantrópicos que prestam atendimento aos usuários do SUS”, completa Belisário.
Setembro Verde
O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado em 27/9, mas durante todo o mês o Governo de Minas promove campanha de conscientização sobre a importância de doar órgãos e de informar a família sobre essa decisão.
Para ser doador de medula óssea, por exemplo, é necessário preencher o cadastro do Redome na Fundação Hemominas. Minas Gerais já cadastrou mais de 636 mil candidatos à doação de medula desde 1993, quando o registro foi criado. Em todo o país, 71.942 novos doadores foram cadastrados desde janeiro de 2024.
De acordo com o Inca, 2.589 pacientes estão inscritos no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme) em Minas Gerais. De janeiro a julho de 2024, foram realizados 219 transplantes de medula óssea de doadores não aparentados no Brasil.
Para se cadastrar e ajudar a salvar vidas, é necessário atender a alguns critérios:
• Ter entre 18 e 35 anos, boa saúde e não apresentar doenças como as infecciosas ou as hematológicas;
• Apresentar documento oficial de identidade, com foto;
• Preencher os formulários de identificação do candidato à doação de medula e o termo de consentimento.
• Colher uma amostra de sangue com 5ml para testes, para fazer o exame HLA* (Antígenos Leucocitários Humanos) que irá determinar as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. O tipo de HLA será cadastrado no Redome.