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Poços de Caldas, polo global de terras raras, é o mais novo associado da AMIG Brasil

Planalto de Poços de Caldas
Poços de Caldas abriga uma das maiores jazidas desse tipo de mineral no mundo, contidas em depósitos de argilas iônicas – foto arquivo divulgação Meteóric

Poços de Caldas (MG) – O município de Poços de Caldas é o mais novo associado da AMIG Brasil, a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores. A adesão ocorre em um momento estratégico, já que a cidade desponta como um dos principais polos globais de minerais estratégicos, especialmente os elementos de terras raras.


Com população de 172.339 habitantes, segundo a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2025, Poços de Caldas abriga uma das maiores jazidas desse tipo de mineral no mundo, contidas em depósitos de argilas iônicas, além de outras ocorrências minerais relevantes.

Historicamente, a atividade minerária local passou por dois ciclos distintos. O primeiro foi consolidado pela extração de bauxita e urânio, que marcou a economia do município por décadas. Agora, surge uma nova fase impulsionada pela crescente demanda global por minerais essenciais à transição energética e tecnológica.

Esse potencial tem atraído o interesse de empresas internacionais. Dois projetos liderados por companhias australianas (Viridis Mining & Minerals de US$ 400 milhões  e Meteoric Resources de US$ 255 milhões) receberam Licença Prévia (LP) do Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) em dezembro de 2025 — um marco importante para o avanço das iniciativas minerárias na região.


Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Stefano Zincone, a entrada na AMIG Brasil representa um passo estratégico para preparar o município para esse novo cenário. “Poços de Caldas é um verdadeiro depósito de terras raras. Estamos falando de minerais estratégicos para o futuro da economia global. Por isso, precisamos estruturar um aparato jurídico que ofereça maior segurança, sustentabilidade e previsibilidade para o desenvolvimento dessa atividade”, afirma.

Segundo Zincone, essa nova fase também exige que o município se prepare para aproveitar melhor os benefícios econômicos gerados pela mineração. “Hoje, Poços de Caldas arrecada muito pouco em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) diante do potencial mineral que possui. Precisamos melhorar isso e estabelecer uma pauta positiva para o setor. Queremos contar com o conhecimento técnico e a autonomia da AMIG Brasil para estruturar esse processo”, destaca.

reunião virtual da associação brasileira de municípios mineradores
Representantes da Administração participaram de uma reunião virtual com a equipe técnica da AMIG Brasil nesta segunda-feira – foto divulgação  AMIG

Para a AMIG Brasil, a chegada dos projetos de terras raras impõe novos desafios à governança municipal. A entidade destaca a importância de os municípios se estruturarem para lidar com temas como gestão da CFEM, desenvolvimento de cadeias produtivas locais, planejamento fiscal e monitoramento de impactos ambientais.

Nesse contexto, a parceria com a associação deve fortalecer a capacidade institucional do município para lidar com o novo modelo de mineração e contribuir para o desenvolvimento sustentável da atividade.

A expectativa é que essa articulação permita a Poços de Caldas atuar de forma mais preparada diante das transformações do setor mineral, consolidando sua posição como referência internacional na produção de minerais essenciais para a transição energética e tecnológica.

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