Cafeicultores e moradores da Zona Sul levam demandas para o vice-presidente Geraldo Alckmin

Poços de Caldas (MG) – Cafeicultores de Poços de Caldas e da região, moradores da Zona Sul da cidade apresentaram demandas ao vice-presidente da República, Geraldo Alckimin (PSB) durante um encontro realizado na manhã deste domingo, 18, no Palace Cassino, em Poços de Caldas.
O encontro ocorreu simultaneamente à 2ª Festa do Café, realizada no estacionamento do Parque José Affonso Junqueira, e também contou com a presença de lideranças políticas e partidárias, como os ex-prefeitos de Poços de Caldas, Paulo Tadeu D´Acardia (PT) e Eloísio do Carmo Lourenço (PT), além de prefeitos e vereadores de cidades do Sul de Minas e do interior de São Paulo e ainda da senadora eleita por Minas Gerais, Marília Campos (PT).
Os cafeicultores, principalmente os pequenos produtores do Sul de Minas reivindicaram mais melhorias para o setor continuar crescendo e prosperando.
Umas das principais reivindicações foi em relação à melhoria aos acessos às comunidades rurais, o que facilitaria o escoamento da produção, bem como o deslocamento do produtor e moradores da zona rural até a cidade, e também a adequação ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Reinvindicação que ganhou coro na voz do pequeno produtor rural de Nova Resende, Geraldo Olegário de Melo, de 69 anos, que falou da dificuldade que teve no começo para financiar o primeiro trator, fabricado na década de 70, e só conseguiu por meio do Pronaf. Hoje ele trabalha ao lado do filho na lavoura de café e disse que as coisas melhoraram em vista do que eram antes. “Eu cheguei a ser humilhado pela funcionária do banco na época perguntando sobre como eu iria pagar um financiamento do trator, devido a minha dificuldade financeira. Eu respondi praela que iria pagar com o meu trabalho. Com o meu trabalho,hoje tenho meu pedaço de terra e com muito orgulho consegui formar a minha filha em Engenharia Ambiental”, se emocionou o produtor.
Ainda como parte das demandas, os produtores solicitaram a ampliação do seguro rural, em razão das mudanças climáticas devido aos efeitos do El Nino, que tem obrigado o produtor a lidar com perdas com temporais fora de época. “Estou plenamente de acordo. Tem que aumentar o seguro rural, porque antigamente era só geada que atingia as plantações de café. Agora é a seca e a chuva fora de época. Estas questões com a mudança climática vão crescer, então precisamos ter cada vez mais seguro rural e de mecanismos, pois quando a coisas não forem bem e para poder segurar a produção agrícola. O produtor também precisa industrializar a produção o máximo que puder, e um dos caminhos é a cooperativa. Por exemplo, aqui no Sul de Minas temos uma das maiores cooperativas do mundo, que é a Cooxupé. Uma cooperativa dá escala, dá tamanho. Eu compro melhor, eu vendo melhor, eu reduzo os custos. É o cooperativismo, associativismo, isso agrega valor para melhorar a renda do pequeno produtor,” declarou o vice-presidente.
Economia
Ainda sobre a economia o vice-presidente destacou a importância da Reforma Tributária ressaltando a necessidade de diminuir os custos, principalmente na indústria visando a competividade com os produtos importados de países onde os custos de produção são menores. “A carga tributária brasileira é de 33% do PIB, isso é fato, você tem custo alto. Então eu consigo vender o produto primário, mas tenho dificuldade de vender o produto industrial. Quando fui Ministro da Industria eu vivia isso todo dia. Você aumenta o imposto da importação a pedido da indústria brasileira pra competir com a estrangeira, e aí afeta toda uma cadeia, pois o custo do produto ficou alto para o consumidor final. A luta é permanente, temos que reduzir o custo. Temos que criar uma cultura de custo. Nós herdamos uma cultura cartorial de Portugal, que se modernizou com a União Europeia e nós não. Precisamos nos modernizar. Nós criamos custo o dia todo. É preciso desburocratizar. Por exemplo, nosso governo consegui desburocratizar a Carteira Nacional de Habilitação. O candidato que antes pagava até R$ 3 mil para tirar a carteira, agora paga R$ 700,00, pois estuda em casa não precisa pagar cartório. Agora em dezembro vai entrar em operação o Portal Único, que está prontinho. É um portal único para importação e exportação, que deve reduz o Custo Brasil em R$ 40 bilhões. Governar é escolher e o presidente Lula sabe escolher. Não vai levar o país a recessão. Nós vamos fazer o PIB crescer e segurar as despesas. “garantiu o vice-presidente.
Terras Raras
Ainda durante o encontro foi dado espaço para que representantes do Instituto Federal do Sul de Minas, APA em Prol da Pedra Branca e do Movimento Rara é a Vida falassem a respeito do licenciamento e exploração das Terras Raras em Poços de Caldas e Caldas, bem como no entorno do Planalto de Poços.
Durante as falas foi abordada a criação de uma estatal das terras raras, a Terrabras, assim como já acontece com a exploração do petróleo pela Petrobras.
A integrante do Movimento Rara é a Vida, Danielle Vilas Boas falou da preocupação e da forma com que as ações vem sendo tomadas, principalmente nas proximidades das casas no Conjunto Habitacional Dr. Pedro Affonso Junqueira.
Danielle Vilas Boas entregou uma agenda com demandas aos representantes do Governo Federal e solicitou atenção sobre o tema.
O vice-presidente reconheceu a importância do tema, em se tratando de uma questão econômica e ambiental. “Terras raras. Precisamos ter todo cuidado ambiental, cuidado com a população local. A Austrália é um dos países mais ricos do mundo, e não tem se quer uma indústria e agricultura. A fonte de renda vem da mineração. Mineração bem feita. Nova Canaã dos Carajás tem um dos maiores PIB per capita do Brasil com a extração do minério de ferro. Tudo no subsolo tem que ser bem feito, é preciso cuidado ambientalmente. O Subsolo é fundamental e precisa de cuidado, ambientalmente e sustentável, mas não pode ter burocracia, “concluiu o vice-presidente.





