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Cientistas defendem criação de Centro de Inteligência e Tecnologia em Terras Raras

audiência pública na ALMG sobre a criação do Citar
Representantes do Instituto Federal do Sul de Minas e da Universidade de Alfenas enfatizaram o potencial de desenvolvimento com criação do Citar em Poços de Caldas – foto Ramon Betencourt – ALMG

Belo Horizonte (MG) – A criação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras (Citar) em Poços de Caldas, no Sul de Minas foi defendida durante audiência pública na manhã desta terça-feira (25/8/26). No Plenarinho II, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebeu cientistas e representantes universitários para debater o potencial de desenvolvimento da mineração com menor impacto possível.

Uma das responsáveis por solicitar a reunião, a deputada Bella Gonçalves (PT), frisou que a discussão é vanguardista, semelhante às reflexões que mobilizaram o Brasil no período da campanha “O petróleo é nosso”. Também autora do requerimento, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) lembrou audiências anteriores realizadas para tratar do assunto.

Conforme estimativas apresentadas pelo diretor-geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), do campus Poços de Caldas, Rafael Felipe Neves, a região vulcânica conta com 15% de todas as terras raras do planeta. Ela abrange 12 cidades e já conta com dois grandes empreendimentos em fase avançada de licenciamento.

Presidente da Aliança em prol da APA da Pedra Branca, o ambientalista Daniel Tygel defendeu a suspensão da autorização até que órgãos científicos, executivos e legislativos se preparem para investir na mineração com menor impacto ambiental.


Superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Júnio Augusto Silva destacou a necessidade de monitoramento contínuo e diálogo com as mineradoras. O objetivo é que o contexto de cada empreendimento seja levado em consideração em todo o processo de exploração na região.

Ao chamar a atenção para armadilhas ecológicas como supressão de mata atlântica, acúmulo de resíduos e excesso de ruídos que podem provocar o deslocamento de animais, Rafael Neves salientou a necessidade de realizar estudos permanentes e estabelecer medidas para amenizar os impactos da mineração. Segundo ele, é importante promover o conhecimento universitário e tecnológico local.

E é essa a proposta do Citar. Em parceria com a Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), o projeto de criação do centro de inteligência deve ser integrado ao projeto de governança territorial com base nas recomendações do Ibama.

O objetivo é fortalecer a pesquisa científica, a inovação tecnológica e o monitoramento ambiental relacionados à exploração de minerais críticos no Sul de Minas. A proposta prevê a implantação de uma estrutura de pesquisa para atuação em várias frentes: desenvolvimento de tecnologias de processamento mineral, formação de recursos humanos e monitoramento ambiental dos empreendimentos de mineração de terras raras.

“Existe mineração de menor impacto”, garantiu diretor

“Quando falamos de terras raras, estamos fazendo uma escolha de que tipo de mineração e que tipo de país queremos ser. Hoje, somos exportadores de solo”, observou o diretor da Unifal-MG, Leonardo Henrique Damasceno. Ele apontou que, para reverter o foco na exportação dos minérios extraídos, é fundamental investir nas técnicas de refino e outras etapas do processamento a fim de ampliar o valor de mercado.

“Não existe mineração verde ou sustentável, mas existe mineração de menor impacto”, ponderou. Damasceno explicou que o Centro de Inovação 4.0 e Engenharia Sustentável (Cies) vai ser construído no campus da Unifal, enquanto o Centro de Estudos Ambientais em Mineração (Ceam) vai ter sua sede no IFSULDEMINAS. Juntos, eles vão compor o Citar.

“Juros por educação” pode ajudar no financiamento do Citar

A criação do Centro de Inteligência foi recomendada em relatório do governo federal sobre a mineração de terras raras no Sul de Minas. O custo estimado é de R$ 40 milhões e, segundo Neves, além de verbas estaduais, as obras devem contar com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Coordenadora-geral de Incentivo à Cooperação e à Inovação (COF), do Ministério da Educação, Marcela Paes enfatizou a possibilidade de viabilizar o Citar por meio da iniciativa Juros por Educação. Integrante do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ela prevê a redução das taxas de juros anuais caso os governadores promovam a expansão de matrículas da educação profissional técnica de nível médio.

Em Minas Gerais, o mecanismo pode gerar R$ 1,09 bilhão. Esse valor pode ser utilizado para construir e melhorar laboratórios, adquirir equipamentos e fazer outros investimentos de infraestrutura, possibilitando a oferta de novas vagas em cursos voltados ao mercado regional.

Paes explicou ser necessário avaliar as demandas de mão de obra e qualificação profissional. “Como essas comunidades podem ser beneficiadas por meio da educação? Essa transformação precisa ser feita com responsabilidade e nós estamos à disposição para contribuir”, garantiu.

Executivo deve ser trazido para o debate

Conforme Beatriz Cerqueira, o próximo passo é chamar as secretarias de estado da Fazenda e da Educação para o debate. “Estamos enfrentando interesses geopolíticos internacionais; precisamos fazer ações que nos fortaleçam”, enfatizou.

Nas considerações finais, Bella Gonçalves endossou as críticas ao licenciamento concedido para as duas empresas, mesmo com a falta de estudos. “Exploração do minério, sim, mas colocando a vida no centro do processo, como disse Daniel”, lembrou.

As terras raras são 17 elementos químicos metálicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como celulares, carros elétricos e turbinas eólicas. Apesar do nome, eles não são escassos na crosta terrestre, mas dificilmente são encontrados em concentrações suficientes para exploração econômica. Por isso, o processo de mineração é considerado complexo e tem grandes impactos ambientais. Fonte Assessoria de Imprensa ALMG

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