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Centro Cultural Afro-Brasileiro Chico Rei é reconhecido como Ponto de Cultura

Centro Cultural Chico Rei em Poços de Caldas
Há mais de 6 décadas o Centro Cultural Chico Rei promove a cultura negra em Poços de Caldas – foto TV Poços

Poços de Caldas(MG) – Considerada uma das mais longevas e importantes instituições de luta, resistência e preservação da cultura negra no interior de Minas Gerais, o Centro Cultural Afro-Brasileiro Chico Rei vivencia um momento histórico de consagração institucional. A Instituição com mais de 60 anos de fundação acaba de receber a certificação como Ponto de Cultura e o reconhecimento por fomentar a cultura negra.

Fundada em 1963, a organização acaba de receber dois importantes reconhecimentos públicos que atestam a relevância de seu legado comunitário e sua trajetória de mais de seis décadas em prol da valorização da identidade afro-brasileira.

O primeiro grande marco é a certificação oficial da entidade como Ponto de Cultura. Pela legislação federal da Rede Cultura Viva (Lei nº 13.018/2014), um Ponto de Cultura é o reconhecimento e a chancela do Estado a grupos e coletivos que já desenvolvem ações culturais continuadas em suas comunidades.

Longe de ser apenas um título burocrático, a certificação funciona como um selo de utilidade pública que válida a autonomia e a organicidade de iniciativas nascidas na base social, inserindo o Chico Rei em uma rede nacional de intercâmbio e cooperação.


Refletindo o peso dessa certificação, o segundo reconhecimento se materializou na esfera dos fomentos públicos. No resultado preliminar do edital de Premiação de Pontos e Pontões de Cultura da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), promovido pelo Governo do Estado de Minas Gerais, o Centro Cultural Chico Rei conquistou a expressiva TERCEIRA colocação geral. O desempenho ganha ainda mais notoriedade ao considerar que a instituição concorreu diretamente com cerca de 60 organizações aprovadas em todo o território mineiro.

Essa classificação de destaque comprova que os avaliadores técnicos do Estado reconheceram, de forma objetiva, a qualidade, o impacto social e a estruturação das propostas submetidas pela instituição — fruto de um cuidadoso trabalho de produção e gestão de projetos liderados pela produtora Camilla Vilela. O resultado referenda o Chico Rei não apenas como um patrimônio histórico de Poços de Caldas, mas como uma potência de gestão cultural no cenário estadual, com capacidade plena para a captação e execução de políticas públicas de fomento.

Retorno aos palcos e ações contínuas

O fortalecimento institucional reflete-se diretamente nas ruas. Em março de 2026, a entidade celebrou a retomada de seu calendário de grandes eventos públicos com a realização do projeto “Chico Rei Com Vida”, que ocupou a Arena Cascatinha sob a produção geral de Camilla Vilela. Aliando o debate intelectual à celebração artística, as atividades iniciaram com a Roda de Capoeira da Escola Capoeira de Angola Resistência e após o evento promoveu uma rica roda de conversa que reuniu representantes da rede de Igualdade Racial, a atual presidente do centro cultural, Lúcia Vera, e a ex-presidente, professora e escritora Maria José de Souza (conhecida carinhosamente como Tita), autora das obras que resgatam e salvaguardam a memória histórica da instituição.

A ocupação cultural da Arena Cascatinha também deu voz à diversidade da música preta regional, contando com apresentações de seis bandas e artistas independentes. O público pôde conferir os shows de Mununu, Aluísio, Edna Santos e do grupo As Meninas do Pagode com o projeto “Ancestral Samba”.

Para além dos eventos de grande porte, o Centro Cultural Chico Rei mantém o seu compromisso com a base social no cotidiano. A instituição segue com seu cronograma ativo de oficinas artísticas e atividades formativas, promovidas em parceria direta com escolas locais e instituições de ensino, garantindo que as novas gerações tenham acesso contínuo à educação étnico-racial e às manifestações da cultura popular.

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