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Terras raras: Comissão de Educação, Ciências e Tecnologia da ALMG visita escolas na zona sul

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Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia verifica os impactos dos projetos de mineração de terras raras em Poços de Caldas – foto Elizabete Guimarães / ALMG

Poços de Caldas (MG) – Integrantes da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estiveram em Poços de Caldas na última quinta-feira, 13,  para ouvir a comunidade escolar de oito escolas municipais e estaduais da zona sul da cidade.

O objetivo da visita foi ouvir a comunidade escolar a respeito da preocupação e temor dos impactos que podem ser causado pela exploração de terras raras na região.

O Sul de Minas se tornou destino de mineradoras interessadas na exploração de terras raras, conjunto de 17 elementos químicos utilizados como matéria-prima para as indústrias de tecnologia e do setor energético.

Poços de Caldas fica dentro da cratera de um vulcão extinto há 80 milhões de anos. A formação geológica peculiar proporciona essa riqueza mineral.


Mas a exploração não ocorre sem impacto ambiental e social. Até porque as áreas ficam próximas a escolas e hospitais. A preocupação da presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira e da deputada Bella Gonçalves, ambas do PT, que ouviram a comunidade, é como isso vai afetar a comunidade escolar.

A área mais impactada é a zona sul da cidade, que abriga cerca de 60 mil moradores e onde está prevista a instalação do Projeto Colossus, da mineradora australianaViridis. São 373 hectares e estimativa de produção de 5 milhões de toneladas por ano, além do uso de 3 milhões de litros de água por dia. A área destinada à exploração fica a cerca de 300 metros de residências, escolas e hospital. “Tem escolas públicas ao lado das cavas. Isso é muito assustador. Mais assustador ainda é a falta de informação”, indigna-se a deputada Beatriz Cerqueira. Após a escuta nas oito escolas, ela listou as reclamações mais impactantes e criticou a prática da empresa de tentar convencer a comunidade com práticas como patrocinar eventos culturais e falar de forma técnica “para as pessoas não compreenderem quais são os impactos”.

Bella Gonçalves também criticou a falta de informações sobre os impactos na saúde respiratória, os riscos da radioatividade, a contaminação das águas, o fluxo de caminhões, os níveis de ruído e outras consequências que a atividade pode gerar.

A deputada citou que o Ibama soltou uma nota técnica apontando a necessidade de mais estudos para o licenciamento ambiental da mineração. “O documento mostra que mesmo os órgãos públicos precisam de mais informações”, atentou.

Risco ambiental assusta professores

O professor Reinaldo Souza, da Escola Estadual Professor José Castro de Araújo, uma das visitadas, afirma que o grande temor da comunidade é a proximidade das cavas à área urbana. Ele diz que estudos independentes apontam que a atividade vai causar impacto no recurso hídrico da cidade, que é totalmente dependente da água da chuva. Como a mineração utiliza grande quantidade de água, o receio é aprofundar o problema de escassez já vivido em algumas épocas do ano. “Gera essa preocupação também, além da contaminação, a poluição atmosférica, a perda de biodiversidade, várias outras questões que estão envolvidas com a exploração”, complementa o professor.

Quérima Franco, professora da Escola Municipal Maria Ovídia Junqueira, escolheu morar na região há 30 anos para ter mais qualidade de vida. Ela relata que os moradores sempre consideraram o local “uma minicidade dentro de uma cidade grande”. Até dois anos atrás, contava com comércio e serviços que facilitavam a vida dos moradores.

A professora lamentou que o bairro perdeu equipamentos como o banco, a unidade policial e o Samu. Segundo ela, a propaganda entre a comunidade é de que, se a mineração for aceita, tudo vai melhorar. “Parece que foi uma moeda de troca. Parece que nós estamos recebendo uma imposição”, desconfia ela.

Quérrima lembra que a qualidade do ar é muito boa e o temor dos moradores é com as mudanças que possam advir da mineração. “Da porta da janela da minha casa, eu vejo aquela mata, vejo água, vejo tudo e agora tudo vai se acabar porque, a 300 metros da minha casa, vai acontecer a mineração e tudo vai ser retirado de lá”.

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